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Por que é tão difícil dizer o que realmente queremos?

Você já preparou um discurso perfeito, ensaiou cada palavra e, na hora H, sentiu que algo escapou? Ou já viveu aquela situação em que uma conversa simples virou um grande mal-entendido, e você pensou: "Não foi isso que eu quis dizer!"?


Se você acha que isso é apenas "nervosismo" ou "falta de técnica", o psicanalista francês Jacques Lacan (1901-1981) nos convida a pensar de forma mais radical. Para ele, essa dificuldade não é um acidente de percurso; ela é a própria natureza da comunicação. Assim sendo, o autor parte de uma premissa desafiadora: a comunicação plena é impossível.

Jacques Lacan (1901-1981)
Jacques Lacan (1901-1981)

Essa impossibilidade de uma comunicação plena aontece pois, Lacan nos ensina que não falamos no vazio. Falamos a partir de um lugar simbólico que ele chama de "Grande Outro". Esse Outro não é uma pessoa, mas a estrutura da linguagem, a cultura, a lei, o conjunto de regras e sentidos que nos precedem.


Quando subimos ao palco ou entramos em uma reunião, nos dirigimos a um público real (as pessoas), mas também a esse "Grande Outro" imaginário: "O que eles vão pensar?", "Será que estão me julgando?", "Será que isso é adequado?". Esse "eles" anônimo e poderoso é a manifestação do Outro.


Essas perguntas neuróticas que nos trava é: "O que o Outro quer de mim?". O orador se pergunta: "O que a plateia espera?". A genialidade está em perceber que esse Outro é, ele mesmo, faltoso, inconsistente. Ele não tem uma resposta definitiva. Não há um "manual secreto" do que é a "fala perfeita" que você precisa desvendar.


Com isso, a ideia fundamental aqui é, liberte-se, entenda que a plateia (o Outro) não é um juiz todo-poderoso com uma lista de exigências. A plateia é um conjunto de outros sujeitos divididos, cada um com seu inconsciente, buscando também sentido. Ao invés de tentar adivinhar o que "eles" querem, o desafio é oferecer o seu desejo. Em vez de perguntar "O que devo dizer?", pergunte "O que eu quero dizer a partir do que sou?". Por isso que um dos pontos centrais da comunicação e oratória é, e sempre será, a N-A-T-U-R-A-L-I-D-A-D-E.


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